terça-feira, 11 de setembro de 2012

Em São Paulo, livro é entulho


No futuro imaginado por Ray Bradbury e levado às telas por François Truffaut em "Fahrenheit 451" os bombeiros não apagavam incêndios, mas sim queimavam livros, tabus numa sociedade totalitária. Na São Paulo do consórcio DEM/PSDB, a Guarda Municipal proíbe a distribuição de livros nas ruas, ação que se seguiu à interdição do oferecimento de refeições para sem-teto e da repressão aos músicos de rua.
“Os guardas falaram que a ordem era de não distribuir os livros, e que eles seriam recolhidos como entulho caso insistíssemos. As pessoas que estavam descarregando ficaram com medo de continuar e saíram rápido do local”, disse Amâncio [Devanir, presidente da ONG Educa Brasil, promotora do evento], na notícia do portal G1, que prossegue:
Segundo ele, os guardas chegaram a perguntar se o grupo tinha autorização para distribuir os livros. "Eu falei que não, pois aquilo não ia atrapalhar ninguém. Nós nem colocamos faixa, só tinha uma lona para os livros, uma lousa e duas cadeiras para pessoas mais idosas se sentarem”, comentou.
Certos atos são autoexplicativos. Não adianta a gente, pessoas normais, querer saber o que as autoridades paulistanas têm contra livros, músicos ou a simples caridade.
Eles são assim porque são assim, seres humanos insensíveis, abrutalhados, sem compaixão ou preocupação com os semelhantes.
Sem nenhuma noção do que sejam os cargos que ocupam.
Se fossem diferentes, certamente São Paulo seria outra, uma cidade menos desumana, menos cruel, menos fria e menos feia.
Como são como são, nós, pessoas comuns, com sonhos e ideais, nos sentimos como forasteiros, invasores, alienígenas no espaço em que somos obrigados a viver - não sem pagar pesados tributos a quem permite e promove tais absurdos.

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